Atingida a Idade Média, nascida a nacionalidade, a referência mais remota que conhecemos, em relação à área, é coetânea de D. Sancho I, a carta de doação e escambo (Lourinhã, 1203), celebrada pelo famoso chanceler Julião Pais, segundo a qual um tal D. Pedro e seu irmão D. Vilelmo, receberam a várzea de Laveiras e outros bens "por aquela herdade que vós tivestes em Sesimbra e pelo bom serviço que nos fizestes e fazeis", tudo confirmado por carta de D. Afonso II (Lisboa, 1218). Laveiras, durante séculos presente na pedra aplicada nas obras mais significativas das redondezas, da Cartuxa às fortificações mas, também, nos Jerónimos, no Terreiro do Paço, no porto e nas calçadas lisboetas.
Do Murganhal, decerto forma derivada de murganho, o mesmo que musarando, mamífero insectívoro acastanhado, parecido com um rato, explicável pela abundância da espécie na região, avulta a memória de a sua quinta ter sido doada por D. Pedro I (reinado: 1367/82), em recompensa de serviços prestados pelo seu escrivão da puridade, Gonçalo Vasquez, a partir de dois casais adquiridos por este a João Redondo e filhos e à igreja de Santa Maria Madalena de Lisboa.
O século seguinte é o da concessão de Carta de Privilégio (Santarém, 1487) aos oficiais das Ferrarias de El-Rei (D. João II), as quais levaram à posterior laboração do fabrico de pólvora e à consequente intensificação da tradicional navegação na Ribeira de Barcarena. A Ribeira - Acima e a Ribeira - Abaixo, separadas dois quilómetros entre o limite sul da Fábrica da Pólvora e o termo meridional da freguesia de Barcarena, ainda hoje constituem verdadeiras certidões toponímicas, contemporâneas do transbordo das matérias primas e dos produtos, para e das barcas, até dar origem , na foz da ribeira, a uma modesta povoação cujos fastos aqui celebramos.
D. Simoa Godinho, a famosa "D. Simoa de São Tomé" marcou presença em Laveiras, dado que, tendo legado uma quinta para um convento de frades pobres, D. Filipe II obteve, de Roma, licença para atribuí-la aos frades cartuxos, ali instalados em 1598, vindos da actual Travessa dos Brunos, na Pampulha, Lisboa. Os factos de a Cartuxa ter sido construida para os frades de São Bruno, no vale da Ribeira de Barcarena e de a doadora ter fundado uma capela na igreja da Conceição Velha (na qual repousam os seus restos mortais), em Lisboa, sob a invocação de Nossa Senhora da Misericórdia, justificam que ao mosteiro fosse dada a designação de Valles Misericordiae e que a igreja tenha sido dedicada a Nossa Senhora da Conceição e a São Bruno.
Por esta época se iniciou uma significativa melhoria dos "caminhos e carreiras/ que vão daqui para Oeiras", com a construção (1618) da primeira ponte da actual freguesia, de pedra, "de um só arco muito simples e sem beleza architectonica", a sudoeste da actual Quinta Real, na estrada da Gibalta, sobre a Ribeira de Barcarena.