Restaurada a Independência, a consequente construção no Tejo, de uma linha fortificada, levou D. António Luís de Meneses, 3º. Conde de Cantanhede, a endereçar uma carta (1649.NOV.1) a D. João IV, comunicando ter mandado fazer "duas baterias, uma na Ponta de Laveiras (forte de São Bruno) (...) e outra na Boa Viagem (...) e entre estas duas Baterias fica um posto que chamam Caxias onde se está fazendo uma trincheira com camisa de pedra e cal e no meio dela fica uma esplanada com 4 canhoneiras para se lhe pôr artilharia, que se lhe porá tanto que se acabar". Esta a mais antiga referência que conhecemos, quanto ao topónimo Caxias, de cuja raiz etimológica encontrámos três versões: uma, que nos parece mais credível, com origem em casillas, casas pequenas, no país vizinho; outra, do latim quassina (rochedo, quebra-mar), donde Cassia e, depois, Caxia; outra, ainda, com o significado de "pedra que corta a água", todas aguardando esclarecimento dos etimologistas para a grafia clássica, por apurar, com ch ou com x.
O já referido " posto que chamam Caxias" antecessor do forte de Nossa Senhora do Vale, já concluído em 1653 e utilizado durante longos anos, como depósito e cais de embarque dos produtos da Fábrica da Pólvora de Barcarena, destinados aos armazéns da capital e demolido (1939) para dar lugar à actual curva do Mónaco, pode, pois, dever a sua designação ao termo casillas, a sugerir que o topónimo pode ter nascido nas humildes habitações da Rua Direita, com a ocupação filipina, terminada apenas nove anos antes da já referida carta do Conde de Cantanhede. Teria sido assim?
Do povoamento de Laveiras, nesta época, há que referir, em 1603 os casais de Antónia Gomes e João Rodrigues de Elvas (primo de Heitor Mendes de Brito e Elvas, marido de D. Teresa Eufrásia de Meneses, titular do Palácio dos Arcos, em Paço de Arcos); em 1607, os de Amador Brás, do Dr. Cristóvão Borges, de Álvaro Pires e de Pero Enes Serra; em 1611, a terra de pão do Dr. Francisco de Bragança, Comissário Geral da Bula da Cruzada; em 1672, o casal " que foi de Martim Descalça, de Laveiras", o primeiro desta família, Descalça ou Descarça, em Portugal, a mesma de Benedetto Odescalchi (1611/89), 241º papa, Inocêncio XI (1676/89), beatificado em 1956. Em Laveiras, Martim Odescalchi residente junto da Cartuxa, casou primeiro com uma filha de Tomás Missavel e, depois de enviuvar, com Maria Alcoforado Godinho.
Em 1712, o padre António Carvalho da Costa descrevia Laveiras, então com 40 vizinhos (fogos ou famílias, com a equivalência normal de quatro habitantes por fogo), e "hua Ermida de Santo Antonio & lhe passa hum rio pelo meyo, que tem hua ponte de hum só arco, aonde está o Forte de S. Bruno & da parte do Nascente fica o Convento dos Cartuxos"; e o Murganhal,com 12 vizinhos, "seis moinhos & hua grande quinta que chamaõ o Jardim, com hua Ermida de S. João Bautista", sem referir Caxias, provavelmente ainda um palmo de terra, acanhado, entre a Rua Direita e o Forte de Nossa Senhora do Vale.
Corria o ano de 1736 quando surgiu a actual Cartuxa, em sítio mais alto que o anterior, imitando em linhas gerais, a igreja da Cartuxa de Évora cuja traça se assemelha à de Santa Cecília de Trastevere, em Roma, enquanto, por ordem do infante D. Francisco (m. 1742), irmão de D. João V, começou a tomar forma a Quinta Real, cujo palácio veio a ser concluído em 1832 e completado com a Casa de Massarelos, cerca de 1845.
Quase meio século após a descrição de 1712, do padre Carvalho da Costa, o padre-cura Francisco dos Santos Pereira referia (1758) as três grandes localidades da região logo após o terramoto, Laveiras, com 75 vizinhos e a ermida de "N. Srª. de Porto Seguro, pertence aos Monges de S. Bruno, he frequentada de Romagens, e no dia da Natividade da Srª. avem festejar romeiros de Lisboa"; Caxias, com 23 vizinhos, tem "a ermida de N. Srª. da Conceição nas cazas do Exmo Principal de Barem" ( o genealogista Antonio Correia Barem, já falecido em 1640, marido de D. Antónia de Vilhena, titular do Palácio e Quinta da Terrugem? A ermida da actual Casa de Massarelos, talvez construida num antigo foro da Terrugem? Ou confusão com a igreja da Cartuxa dedicada a Nossa Senhora da Conceição e a São Bruno?) e Murganhal, com 10 vizinhos. A região contava já, portanto, com uma população total de 108 vizinhos duplicando, pois em menos de meio século, a de 1712.
Não anda longe da anterior, a descrição de 1763, do padre João Bautista de Castro, com as ermidas de Santo António (da Mina?), em Laveiras; de Nossa Senhora da Conceição (repetição da versão de 1758), no lugar de "Cachias"; e de São João Baptista, na Quinta do Jardim.
A partir de 1764.ABR.5 ficaram definidos cinco lugares e quatro sítios repartidos por duas vintenas, a do Murganhal (com o lugar que lhe deu o nome e os sítios de Ribeira - Abaixo, Azenha do Murganhal e Jardim) e a de Laveiras (com o lugar que lhe servia de designação e os da Terrugem, Caxias e Cartuxa e o sítio da Gibalta), área na qual residiam os 530 confessados durante a Quaresma de 1773.